O e-commerce no mercado varejista e alguns cuidados que se deve tomar na sua estruturação

Por: Cabanellos Advocacia em 12 de 07 de 2017

Num mundo cada vez mais rápido, conectado e digital, é indispensável adaptar-se às novas realidades e às novas formas de consumo. Não é novidade para ninguém que vivemos um momento de profundas transformações, as quais rompem com paradigmas históricos e abalam diversos setores da economia.

O que se convencionou chamar de economia do compartilhamento – sharing economy – vem causando fortes mudanças nos mais diversos setores, destacando-se o automotivo (com o Uber), de mídia (com o Facebook), hospedagem (com o Airbnb), televisão a cabo (com o Netflix) e varejo (com a Amazon). São plataformas surgidas a partir de modelos de negócios disruptivos, os quais têm na internet o seu principal vetor e que procuram atender aos anseios de uma sociedade que se transforma também em alta velocidade.

Especificamente em relação ao varejo, é possível afirmar que, na onda dessas mudanças, o e-commerce já é uma realidade no país e, na contramão do varejo tradicional, cresce exponencialmente no Brasil e no mundo. Os resultados animadores do comércio eletrônico decorrem da forma como ele atinge um número expressivo de pessoas através da internet, proporcionando, paralelamente a isso, uma redução de custos de estabelecimento e revolucionando a relação entre consumidor e fornecedor. Além disso, por meio do e-commerce, os varejistas disponibilizam aos seus clientes todas as informações que lhes são importantes para a tomada de decisão, assim como otimizam o tempo desses clientes, que estão cada vez mais atarefados com outros assuntos e com menos tempo para gastar com esse tipo de coisa.

Todavia, alguns cuidados na estruturação de um e-commerce deverão ser tomados, pois por trás da operação virtual, existem diversos direitos e obrigações entre os partícipes dessa relação, compartilhando riscos que a empresa que se insere nesse mercado deve conhecer e se preparar, para que a experiência seja positiva e faça sentido para a sua operação.

Diferentemente do que acontece no dia a dia de uma loja física, o comércio eletrônico impõe ao varejista alguns cuidados específicos e peculiares, tais como a disponibilização de uma adequada plataforma online para a sua operação, a redação de termos de uso e política de privacidade do seu site, a atenção na preservação dos dados pessoais colhidos dos seus clientes e usuários, a realização de investimento na segurança das transações financeiras efetivadas no seu ambiente virtual, a criação de canais de atendimento aos consumidores, a estruturação da logística para o adequado e tempestivo escoamento e entrega dos seus produtos até o seu destinatário final, a disposição de um servidor que esteja apto a receber o volume de vendas programado pelo varejista e que não apresente problemas, principalmente nos períodos de maior acesso – promocionais (como a Black Friday) e festivos (como o natal, dia das mães, dos pais e dos namorados) – o respeito às regras do Marco Civil da Internet e do Código de Defesa do Consumidor, principalmente aquelas que regulam o direito do arrependimento e o dever de informar corretamente ao seu público consumidor, entre outros.

Enfim, ainda que o e-commerce seja uma excelente ferramenta para a sustentabilidade de muitos negócios do ramo varejista nos dias de hoje, é imprescindível que ele seja concebido e estruturado com a consciência de que, por trás da operação virtual e impessoal proporcionada pela internet, existem diversos fatores a serem cuidados, para evitar futuras dores de cabeça ao empresário.

Por Roberto Xavier Lopes, sócio do Cabanellos Advocacia, responsável pela área de Contratos Empresariais