Preconceito nas redes sociais e desdobramentos na vida profissional

Por: Cabanellos Advocacia em 15 de 10 de 2018

Após o resultado do 1ª turno das eleições, um executivo de uma agência de publicidade fez uma postagem preconceituosa sobre nordestinos. Infelizmente não foi só ele. No entanto, o detalhe do caso é que ele trabalha em uma agência em que o fundador e um dos presidentes são baianos. Diante disso, após se dar conta do ocorrido, postou um esclarecimento, mas a empresa fez um comunicado a todos os funcionários informando que irá tomar medidas cabíveis. Tais medidas podem ser, inclusive, demissão por justa causa.

O recente fato mostra o quão delicado é fazer qualquer postagem nas redes sociais, bem como a importância de refletir antes de publicar algo; ainda mais quando se trata de crítica, especialmente envolvendo um tema polêmico como a política, sem falar que preconceito é inadmissível.

Este caso ilustra diversos aspectos relevantes sobre o uso inadequado das redes sociais: primeiramente, postar é como um Boletim de Ocorrência pronto para ser registrado. É uma declaração assinada. Outro aspecto relevante, mas que poucas pessoas dão a devida importância, é que uma postagem pode gerar impacto na carreira do usuário e até mesmo na reputação da empresa que é sua empregadora. Digamos que este publicitário não trabalhasse para nordestinos, mas participasse de um processo de seleção em uma empresa comandada por eles ou estivesse prospectando a conta de um cliente do nordeste. Certamente não seria contratado em decorrência desta publicação, pois as redes sociais são fontes de pesquisa de recrutadores, clientes, chefes, entre outros. E isso não vai se apagar com o tempo. Na internet, dificilmente os conteúdos se apagam, pois, segundos após a postagem, há quem faça print screen da tela e, futuramente, pode ser resgatado e causar prejuízos.

Isto porque tudo que inserimos a nosso respeito nas redes sociais são dados. E dados são o petróleo da economia atual. Quanto mais dados disponíveis, mais fácil é desvendar uma pessoa. Através das redes sociais, podemos identificar diversos aspectos da personalidade do usuário. E isso ocorre com relação a todas as redes sociais (LinkedIn, Facebook, Instagram, Twitter).

Há uma falsa ilusão de que nas redes sociais estamos apenas entre amigos e que é um território de entretenimento, porém, ao contrário, devem ser encaradas com seriedade. Estamos constantemente sendo observados. Podemos mudar de opinião, de empregador, de partido político, mas o que publicamos na internet nunca vai se apagar. Os usuários devem ter bom senso, cientes de que as postagens nas suas redes sociais pessoais são dados que fazem parte, inclusive, do seu currículo. As empresas podem tomar medidas preventivas como, por exemplo, elaborar um código de conduta e, habitualmente, treinar os funcionários sobre as melhores formas de posicionarem-se nas redes sociais, de acordo com os valores da empresa, preservando-se de eventuais prejuízos causados por seus funcionários.

Por Virgínia Matte Chaves, advogada do Cabanellos Advocacia